Leans Startups

O conceito de lean startup, que no Brasil também é conhecido como “startup enxuta”, foi introduzido por Ries (The Lean startup, 2011), e refere-se a um processo que tem como objetivo ajudar empresas com visões inovadoras a validar suas ideias em um mercado ainda incerto. Os produtos dessas empresas inovadoras são, inicialmente, experimentos e através do ciclo de feedback proposto neste processo, a equipe pode desenvolver um modelo de negócios sustentável ou desistir da ideia, sem investir muito dinheiro em algo que nunca teria uma demanda constante. Muitas empresas fracassam em busca de um mercado, e levam consigo muito dinheiro desperdiçado em uma ideia visionária mas que acabou não tendo demanda esperada por algum motivo não identificado por falta de planejamento na fase inicial do modelo de negócio.

O conceito de “lean” foi inspirado do termo lean manufacturing, uma metodologia originada no Japão pela Toyota. Desde que foi inventado a linha de produção, por Henry Ford, a indústria tem se aprimorando com constantes inovações. O grande legado da metodologia enxuta da Toyota foi criar o máximo de “output” com o mínimo de inventário. Além de eliminar o desperdício, esse método tradicional permite a otimização da qualidade pois o “output” é examinado logo após sair da linha de produção e se houver algum defeito ele é detectado o mais rápido possível, sem que o mesmo seja replicado o que causaria enormes prejuízos à empresa.

O modelo enxuto para startups foi originado com o objetivo de amenizar perdas por empreendedores que usavam métodos de gerenciamento tradicional para gerir uma startup. Para Ries, nos tempos atuais é necessário mais do que um bom plano, uma estratégia sólida e pesquisas de mercado, para lançar um produto inovador de sucesso.

A startup enxuta segue o mesmo principio e o seu principal objetivo é evitar que a empresa se lance no mercado com investimentos altos em mídia e produção antes de validar o potencial dele.

Ciclo de Feedback

O Lean Startup realiza um ciclo de feedback responsável pelo desenvolvimento do Produto Mínimo Viável (PMV) até o produto final. Com os feedbacks, quantitativos e qualitativos a empresa saberá se deve continuar e fazer o lançamento de marketing com um produto adequado a um mercado potencial, que agora está provado que existe ou então recomeçar o ciclo. Em último caso, se não for encontrado um modelo de negócios adequado, a decisão mais sensata é a de abandonar a ideia, pois falhar lentamente e constantemente por muito tempo só iria prejudicar a equipe e desperdiçar muito dinheiro dos investidores.

Ciclo de Feedback

Figura 1: Ciclo de feedback “Desenvolver-Mensurar-Aprender”

O modelo proposto por Ries, é semelhante ao do Blank, um de seus investidores e conselheiros. Para Blank o marketing e a estratégia de comunicação eram tão importante quanto a engenharia e o desenvolvimento do produto. Na figura 1 temos o modelo Build-Measure-Learn Feedback Loop, proposto por Ries, e na figura 2 o modelo de de Customer Development, proposto por Blank (The Startup Owner’s Manual, 2012 p. 54). Ambos modelos são frameworks para se alcançar o Product/Market Fit. Para uma st artup com modelo freemium isso poderia ser algo como:

custumer-development

Figura 2: Modelo de Steve Blank, Customer Development

Ter uma baixa taxa de descontinuação do produto (churn rate), uma forma relativamente barata de captar usuários, sendo esta menor que o retorno que o mesmo trará para a empresa. Outros aspectos de validação do modelo freemium serão vistos no decorrer da série.