O que é Plataforma Multilateral?

De acordo com Hagiu (2007), plataforma multilateral (PM), é um modelo que cria valor ao proporcionar interações diretas entre dois ou mais tipos distintos de agentes. Ex.: Anfitriões e inquilinos (Airbnb); motoristas e usuários (Uber); compradores e vendedores (Mercado Livre).

Outro atributo utilizado para diferenciar plataformas multilaterais de modelos tradicionais de revenda (pipeline) é a presença do efeito de rede indireto (indirect network effects or network externalities) no design e na engenharia do produto.

O efeito de rede indireto proporciona um valor incremental  à plataforma na medida em que o número de agentes distintos aumenta. Ex.: Quanto maior o número de motoristas disponíveis em uma região, maior o valor para os usuários do Uber que querem ser atendidos rapidamente e quanto maior o número de usuários, maior o valor para os motoristas que precisam de demanda.

Um produto com o modelo ‘plataforma multilateral’ por ser pensado para ter o efeito de rede indireto, possui uma economia de escala (EE) do lado da demanda, diferente da tradicional EE do lado da oferta, a qual gera benefícios ao tornar marginal o custo adicional de produzir uma nova unidade para empresas como: Coca Cola, Ambev, Unilever e outros modelos de negócios tradicionais.

Uma vez que o Uber conquistou diversos agentes em uma região, dificilmente outra empresa conseguirá entrar nesse mercado sem algo disruptivo. O valor do produto está na comunidade de agentes interagindo entre si, uma empresa nova com poucos motoristas ou usuários não consegue entregar o valor adicional gerado pela interação na comunidade.

Hagiu aponta outro fator que define a plataforma multilateral, que é o fato de a mesma só ocorrer quando há interações diretas entre os grupos distintos. Dessa forma revendedores e fornecedores não se enquadram no modelo de plataforma multilateral, embora atuem com diferente grupos de agentes. Para ele são plataformas multilaterais empresas/produtos como: Youtube, Facebook, Ebay, Paypal, Skype, Shopping Centers, Airbnb, Uber. Já as Casas Bahias não é, pois ela media a interação entre compradores e fornecedores, sem que os últimos tenham contato direto. Ver figura:

Plataforma Multilateral

Diagramação do conceito de plataforma multilateral proposto por Hagiu.

 

Plataforma Multilateral e Startups

Para startups e empresas com recursos limitados, o modelo Plataforma Multilateral (PM) é mais atraente do que o de revenda e o de fornecedor. Estes últimos envolvem mais controle e influência por parte do intermediador sobre as transações diretas entre vários tipos de consumidores, ele geralmente é mais custoso em relação a uma plataforma multilateral.

De acordo com Hagiu isso ocorre pelo fato de tanto os custos fixos (gasto com capital) quanto os variáveis (custo de mediar cada transação individual) serem maior no primeiro modelo. Em contra partida, devido ao efeito de rede indireto das PMs, algumas startups enfrentam o problema conhecido como chicken-and-egg situation, o qual pode ser severo caso um dos grupos agentes não junte a plataforma, e se um dos lados não aderir o outro também não irá. Ex.: Sem anfitriões não há casas para hospedar através do Airbnb.

Nesse contexto, a startup deve planejar estratégias para subsidiar um dos agentes até que o outro adira à plataforma. Para David Socker, ainda há a possibilidade da startup iniciar ou como revendedora ou como fornecedora e assim que tiver um dos grupos agentes aderidos ela passa a atuar como intermediário permitindo o contato direto entre ambos agentes.